Como fazer o cachorro gostar de banho? 1

Como fazer o cachorro gostar de banho? Deixe um comentário

Uma das principais queixas de tutores de cães que a DogFeel recebe é, sem dúvidas, a questão do banho, seja pelo fato do cão não gostar da água, seja pelo secador, seja pelo manuseio ou outros fatores que podem estar envolvidos na hora do banho de um animal.

Inicialmente, ouvindo as queixas dos tutores, pode parecer que a questão é só o banho, a água ou elementos que estejam presentes na hora do banho. Contudo, primeiramente, precisamos entender como nasce essa necessidade por banhos na história da evolução dos cães e só depois partiremos para o banho em si e todas as suas dificuldades.

Todos nós sabemos que os cães ou canis lúpus familiaris enfrentaram e vem enfrentando um processo de adaptação doméstica ou domesticação há pelo menos 30000 anos, isso significa dizer que os lobos até outro dia estavam em plena natureza em busca da sua caça e sua principal preocupação era essa: alimentar-se. Acontece que esse animal, que antes só tinha como preocupação a alimentação, começou a despertar interesse de caçadores.

Os caçadores foram notando que alguns lobos se aproximavam dos acampamentos mais que outros, despertando o interesse nesses animais para utilizar como defensores das terras quanto à presença de outros lobos ou felinos que pudessem ameaçar o plantio. E como foram escolhidos? Bom, aqui onde entra a tão citada seleção artificial, segundo alguns historiadores, depois de observado o comportamento de alguns lobos, foram escolhidos aqueles que mais tinham interesse em humanos.

À medida que os filhotes iam se desenvolvendo, era observado o comportamento em relação aos humanos e aqueles que demonstravam comportamentos agressivos não eram admitidos para futuras cruzas ou acasalamentos, davam-se prioridade aos mais dóceis.

Com o passar dos anos, a relação que antes era firmada apenas em um propósito começou a evoluir para uma parceria e o afeto e empatia foram se desenvolvendo. Com o desenvolvimento das cidades e a migração dos centros rurais para os centros urbanos, a vida também foi se resignificando.

O homem migrou para as cidades e, com o crescimento vertical, houve uma drástica mudança da fazenda para um apartamento. Já pensou nisso? Agora imagine isso na cabeça de um cachorro que um dia tinha um vasto gramado para expressar seus principais instintos e agora se vê restrito em uma caixa de concreto que tem um elevador e barulhos de carros, ônibus, buzinas e vozes. Parece loucura, mas é essa a vida que levamos nas grandes cidades.

Quando a gente resolve fazer uma mudança tão drástica, a gente ecoa a mudança e outros aspectos também e isso abrange a todos. Ora, até outro dia, chamada de vídeo era uma coisa que ninguém tinha pensado, esse exemplo é para mostrar que estamos em adaptação a todo instante.

E os cães? Bom, quando pensamos nas inúmeras mudanças que passamos, não podemos deixar de pensar em todas as mudanças que os cães ainda estão passando. O fator ambiente talvez fosse o primeiro deles. A necessidade de ter que se encaixar e talvez esse problema precise ser visto como uma qualidade deles, eles estão sempre se adaptando e eles conseguem. Acontece que precisamos entender que algumas questões estão um pouco mais distantes da própria natureza deles, como o banho.

Antigamente, como narrado, os lobos não davam uma pausa após a caça para irem tomar um banho antes de jantar ou um banhozinho todo final de semana, por exemplo. Banho é um costume humano e ainda assim não parece ser tão universal quanto pensamos, só vermos como surgiu o perfume.

Cada cão tem seu próprio cheiro, as glândulas anais funcionam com verdadeiras impressões digitais de cada um por conta da liberação de um odor particular e muitos deles se identificam cheirando o bumbum do outro cachorro como uma forma de comunicação.

Como eles estão conosco agora em um ambiente menor e uma convivência tão mais próxima, qualquer sinal de cheiro menos agradável, surge a ideia do banho e dos produtos para afastar qualquer odor do ambiente. Porém, toda vez que os banhos são dados, a proteção que pele produz uma proteção natural contra fatores externos é retirada e o corpo precisa novamente se preparar e reiniciar a produção dessa proteção e esse processo pode significar a liberação de um odor mais forte e vira um ciclo.

Quando um tutor relata a dificuldade em dar banho no seu cachorro, precisamos pensar inicialmente em algumas questões: é dificuldade na contenção? Ele não permite que você segure nas patas? O manuseio é difícil? É problema com a água? É na hora de secar?

Todas essas questões precisam ser observadas em conjunto. O momento do banho é um momento que pode significar um estresse muito grande ao animal. Algumas raças, por questões históricas, podem ter uma facilidade maior em gostar de água, como os retriviers, mas podem não gostar do secador. Como resolver isso? A melhor opção é pensar nessas questões antes mesmo que elas apareçam ainda na fase de filhote, na fase de socialização. Apresentar de forma positiva tudo que eles irão encontrar nos banhos, desde o manuseio até o secador. Outra opção é deixar o banho somente para momentos de extrema necessidade e tentar fazer do momento do banho um momento agradável, então iniciar o banho e a massagem por um lugar que seu cachorro goste mais e de forma suave, separar petiscos para esse momento e apostar na nossa playlist de calma no Spotify (DogFeel – playlist).

Deixe uma resposta